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A espuma dos dias

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avatar [26 Dec 2009|06:57pm]

innersmile
É impossível um tipo não ficar deliciado a olhar para as imagens prodigiosas de Avatar, a nova fita de aventuras que James Cameron fez com tecnologia 3D. Acredito que o filme seja um pouco o estado da arte daquilo que hoje em dia se consegue fazer em cinema através do recurso à tecnologia. Eu pelo menos nunca tinha visto nada assim, e babei violentamente, sobretudo com as imagens ‘reais’, por contraste com o mundo de Pandora, que sendo visualmente espectacular, nunca deixou de me saber a desenho animado. Agora com as imagens reais, com a perspectiva e a profundidade do campo, a sensação de textura e de volume, caramba, é que eu me senti assim mesmo pertinho do orgasmo, que loucura.

A vantagem de o James Cameron ser um cineasta e não apenas um geek dos efeitos especiais, é que consegue construir uma narrativa minimamente segura e que nos leva através dos prodígios visuais. Não digo que seja uma história terrivelmente original e interessante, e que vá deitar um novo olhar sobre a condição humana, mas também, caramba!, já lhe basta ser isso tudo do ponto de vista da tecnologia incorporada. Agora a história é minimamente decente, e as personagens suficientemente credíveis, para criar aquele nível de empatia e de suspensão da incredulidade que nos permite mergulhar na aventura visual e desfrutar o filme.

Ou seja, duas horas e meia bem passadas, o filme ideal para ver numa matine do dia de natal, para divertir e esquecer por um bocadinho as preocupações da vida. Se era possível fazer a mesma coisa sem tanta tecnologia e sem tantos milhões de dólares. Pois, se calhar era, mas provavelmente não seria bem a mesma coisa.

E depois ainda há mais uma coisinha: é sempre um acontecimento ver a Sigourney Weaver, a 2, 3,ou mais dimensões, ainda que ela se limite um bocado a passear a classe pelo ecrã.
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[25 Dec 2009|10:26pm]

elysee

As for me, I am a watercolor.
I wash off.


Anne Sexton
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Fálico [25 Dec 2009|06:52pm]

opiario




Não olhe pra mim: o tamanho desta banana é culpa dos trópicos...
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Ricardo [25 Dec 2009|12:15pm]

doctorjazz








©Gonçalo Franco - Ricardo Bernardo







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a noite mais longa do ano [25 Dec 2009|03:02am]

innersmile
A NOITE MAIS LONGA DO ANO

Quando penso nessa noite, o que me vem à ideia é eu estar deitado no sofá, a ler o jornal, enquanto na televisão passa um programa qualquer. São quase onze da noite e Bernard, o meu pai, começa a agitar-se, o que é sinal de que se quer ir deitar. «Benji», chama-me a minha mãe, «o teu pai parece que se quer ir deitar». O meu nome é Benjamin, é assim que os meus colegas me tratam, Professor Harrer para os alunos, mas a minha mãe, juntamente com duas das suas amigas, as únicas sobreviventes do meu tempo de infância e juventude, sempre me tratou e continua a tratar por esse diminutivo irritante. «Já tinha reparado», respondo meio absorto, «mas não acha que hoje à noite ele devia deitar-se um pouco mais tarde? Afinal ainda temos os presentes para abrir». Ela continuou a olhar para a televisão, como se eu não tivesse aberto a boca.

«Vem, Bernie», digo para o meu pai, num tom que costumamos usar com as crianças e os cachorros, «anda vestir o pijama». Ele faz um esforço para se levantar, a mão direita a tremer, e eu seguro-o pelas axilas e faço força para o levantar. «Tens fome paizinho? Eu estou a morrer de fome, o jantar estava uma bela porcaria, não estava?» Tinha sido eu, pela primeira vez na vida, a fazer o jantar daquele dia especial. Foi uma teimosia. Habitualmente mandamos vir a comida de uma dessas casas que fazem entrega ao domicílio, mas eu, por preguiça de fazer uma encomenda prévia e também por alguma determinação em não quebrar a tradição da ceia, tinha insistido em fazermos o jantar em casa.

Encomendei todos os ingredientes on-line e às sete da tarde fui sentar a minha mãe numa cadeira junto à porta da cozinha. «Traz-me o telefone, Benji. Não quero perder nenhuma chamada importante». Trouxe-lhe o telefone e mal tinha posto as coisas ao lume para fazer o jantar, o telefone começou a tocar. A minha mãe ia-me dando instruções por gestos, ou no intervalo entre duas chamadas, e claramente, para ela, o jantar era uma segunda prioridade face aos telefonemas das irmãs, das primas afastadas, e das amigas com quem não estava desde o acidente. Eu enervei-me quando demasiadas coisas começaram a acontecer ao mesmo tempo e a situação no fogão parecia descontrolada. Ao mesmo tempo fui dando instruções ao meu pai, que estava parado, de pé, à porta da cozinha, atrás da cadeira da minha mãe. «Paizinho», pedi-lhe, «não te importas de ir pondo a mesa?», e fui-lhe indicando, uma por uma, as coisas que ele devia pôr na mesa: primeiro a toalha, depois os pratos, os talheres, os copos, os guardanapos, as taças e as colheres para a sobremesa, que tinha sido oferecida pela vizinha, o pão, as bebidas. A minha mãe bebe sempre Sprite, eu bebo chá gelado, e o meu pai divide a refeição: na primeira metade, bebe um copo com água onde deita as gotas do medicamento, depois, a meio, levanta-se, pega no copo e vai ao frigorífico servir-se de um vinho doce e diluído que ele compra em pacotes na mercearia perto de casa.

O jantar não estava tão bom como quando era a minha mãe a prepará-lo, mas mesmo assim era uma aproximação razoável. Ficou tudo um pouco cozinhado demais, as batatas praticamente desfeitas, o que fez alguma confusão ao meu pai, que não lhes conseguia espetar o garfo, mas o sabor estava bom. A minha mãe passou o jantar descontraída, comeu bem, elogiou a qualidade das matérias-primas, que tinha vencido a sua desconfiança relativamente às coisas que se compram através da intranet, mas sempre com um tom um pouco forçado, como que a disfarçar um certo desapontamento pela comida não estar exactamente como devia.

Dei um copo de leite amornado ao meu pai, levei-o para o quarto, despi-o, vesti-lhe o pijama, pus o penico ao lado da cama para ele não ter de ir à casa de banho durante a noite, e deitei-o. Voltei para a sala e a minha mãe desviou os olhos da telenovela que estava a seguir na tv e disse-me: «Benji, é melhor abrires os presentes do teu pai». «Acho que não vale muito a pena, mãezinha, é melhor ser ele a abri-los amanhã de manhã». «Não, Benji, amanhã já não fará muito sentido abri-los, já será tarde. Estas coisas têm um momento próprio e como muito bem sabes, o momento próprio é hoje à noite». «Mãezinha, o que não faz sentido nenhum é eu abrir os presentes que eu próprio comprei para o paizinho». «E que eu não vi», disse ela, quase no seu tom de impassibilidade, «mas faz como achares melhor. Eu estou a ver a minha novela».

Deitei-me no sofá, com a cabeça encostada ao braço elevado, tapei as pernas com uma velha manta cheia de pelos do gato Felix, que já morreu há dois anos, e peguei outra vez no jornal.
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porque... [24 Dec 2009|03:56pm]

ulis
... ainda há gente que vem passando por aqui, se algum deles não os recebeu por outra via, que fiquem então com os votos de uns excelentes dias a acabar o ano.

Beijos doces e abraços sonoros, devidamente distribuídos.

ficam já a saber que a partir de inícios de janeiro, este espaço vai passar a ter publicidade dessa que o LJ apresenta (e alguém tinha reparado que até agora não tem?)
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Shakira - Santa Baby [24 Dec 2009|12:19pm]

opiario


Adooooooooro ela!
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Que não me passe em branco esta quadra em 2009 [24 Dec 2009|01:10pm]

petralee
Os amigos sabem já da minha paixão por esta época do ano, portanto, poupo-vos a todos de mais uma interminável lista de queixas e afins.

Ficai com esta christmas carroll e perdoai a falta de espírito. Ou não. :p

Grandes beijos a todos.

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Feliz Natal! [24 Dec 2009|08:55am]

opiario


(A ilustração e o conceito são de Rafael Campos Rocha)
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[24 Dec 2009|10:33am]

dancing_in_dark




Agradeço todos os Felizes Natais que me desejam e aproveito para desejar um Feliz Natal de volta, muito doce.

Beijinhos


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[23 Dec 2009|11:06pm]

alois
Finally updated my website. Will have to add a portraiture section at some point, but not without first having some sort of cohesive reasoning behind it. Added lightbox in order to have an option to read an introduction to each series. Also removed some filler - it's time I concentrate on what it's all about. Of course, since I'm coding these on my own, it's still strictly amateur hour when it comes to the design:

http://lungliu.com
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twitfiction #17 (especial de natal): nicolau [24 Dec 2009|01:24am]

innersmile
Ao entrar em casa depois de distribuídas as prendas, Nicolau teve um mau pressentimento: na mesa, não fumegava a habitual malga de sopa.
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[24 Dec 2009|01:07am]

maligla
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boas festas [23 Dec 2009|11:32am]

innersmile
Falta de inspiração e falta de assunto, eis as razões porque tenho escrito pouco por aqui. A vida lá fora não tem andado doce, e consome-me muita energia. Entre o trabalho e as obrigações familiares sobra-me pouca disposição para contemplar o mundo. Mas o Natal é sempre o milagre do amor, e o milagre do amor é sempre o milagre dos outros. Por isso devemos estar sempre disponíveis, expectantes e atentos. Só assim pode ser que o milagre do Natal aconteça.

Com este anjinho que foi oferecido por quem o fez e que é a única decoração do Natal deste ano, aqui ficam os meus votos de BOM NATAL para todos os amigos.

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drive until the rain stops. ... KEEP DRIVING! [21 Dec 2009|08:10pm]

elysee
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my stats [20 Dec 2009|07:11pm]

innersmile
Agora que o livejournal tem uma página de estatísticas muito catita (hélàs, só para quem tem conta paga), decidi fazer um pequeno poema:


Secam-me as palavras muito místicas
Estou à míngua de entradas aforísticas
Faço então um limerick
Só para ter algo que fique
A pulsar na página das estatísticas
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[20 Dec 2009|01:46pm]

elysee
[ music | Beach House + silver soul ]

"You" have transformed into "my loss."
 The nettles in your vanished hair
Restore the absolute truth
Of warring animals without a haven.
I know, I'm as pathetic as a railroad
Without tracks. In June, I eat
The lonesome berries from the branches.
What can I say, except the forecast
Never changes. I sleep without you,
And the letters that you sent
Are now faded into failed lessons
Of an animal that's found a home. This.

 
The Peace That So Lovingly Decends by: Noelle Kocot
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Elvira Vigna em imagens [19 Dec 2009|03:20am]

opiario



Se este não fosse um país perdido em seus próprios delírios, numa trip infinda e desvairada, louco, louco, mil vezes louco, Elvira Vigna seria estudada nas universidades, discutida nos cafés, citada obrigatoriamente em qualquer conversa sobre literatura, presença de honra nas FLIPs da vida.

Mas sabemos como e o quê o Brasil é.

A minha esperança é que um dia acordemos e se tenha descoberto, assim como que num passe de mágica, que ela escreveu ao menos uma obra-prima da literatura brasileira: o romance (romance?) A um passo.

Elvira tem um site e agora ela resolveu, para cada um dos seus livros, fazer uma pequena apresentação em vídeo. Coincidências ou não, o seu romance preferido é o meu romance preferido seu, justamente o A um passo. Vale a pena dar uma olhada no vídeo no qual ela explica que não conta a história, que a história é "contada pelo leitor".

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piscina [18 Dec 2009|06:03pm]

innersmile
o teu esplendor é um lar em chamas
uma felicidade dolorosa
um crime redentor.

como te vejo,
tatuagens que sobem rios como peixes,
o sal da nuca,
despojos da faina espalhados no banco;

tão certas as tuas veias
a areia áspera dos poros
as linhas onde me afogo a cada volta dos braços,
casco velho à deriva
ao lado da luminosa textura dos teus gestos.
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Name calling [18 Dec 2009|02:17pm]

ironbark
I get called many things when I walk around the streets in Vientiane. Mostly it is old women having a chuckle at my expense and often it is young men who give me the thumbs up and "goooood". Mothers and fathers also point to me and say to their children Father Xmas, which is interesting in this Buddhist country. Generally they then burst into tears but the other day one toddler kept following me down the street and pulling on my pants leg.

Today was a bit of a newy, a textile vendor at the Talat Sao (Morning market) wanted to know if I was a Moslem.......
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